Entendendo sobre autorresponsabilidade

Tu tornas eternamente responsável por si mesmo. Adaptei essa frase do livro O pequeno príncipe. Nele a gente encontra: Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas. Ao lê-la sempre sentia um incômodo, pois ela infringe uma lei grave na jornada de evolução pessoal. O de se autorresponsabilizar diante da vida.

E você, como recebe essas frases? Pare um pouquinho, sente e reflita…

Lembro de quando eu era criança e meu pai dizia: “Não quer pegar trânsito, saia de casa cedo”…
Uso esse exemplo singelo para refletirmos sobre como percebemos o que acontece do lado de fora sem olhar para o que existe e acontece em cada um de nós.

Podemos até esquecer, relutar, assumir papéis diversos (vítima, algoz, salvador..) em tantas circunstâncias que surgem, no entanto na estrada da vida sinto que uma parte principal do caminho é o de se lembrar e praticar a autorresponsabilidade. E quando, por alguma razão, sairmos da direção de ser responsável pelo que pensamos, sentimos, recebemos, decidimos e vivenciamos, os conflitos – os mínimos possíveis – serão o primeiro sinal de que o curso deve ser observado e reavaliado, seja o pensar, o sentir, o fazer,…

É algo sutil, principalmente quando acontece algo errado ou injusto conosco. Se questionar pode muito ajudar, o que é responsabilidade minha nessa situação? Quando algo acontece o que cabe a mim fazer aqui?

Ainda é comum confundirmos ser responsável por si com fazer tudo sozinho. É um grande engano, porque o grande passo que vem em seguida de assumir a si próprio é buscar ajuda, suporte e conhecimento quando necessário, quando se quer e precisa fazer diferente. Então, a jornada pode ficar mais leve, agradável e segura quando podemos contar com o apoio e esclarecimento que o momento requer.

Algumas situações são mais complexas do que a do trânsito e sair cedo de casa, mas envolvem algo dessa dinâmica. O importante é começar a compreender como contribuímos para viver a realidade que está acontecendo agora, seja no trânsito, em casa, no trabalho, nos tantos encontros da vida e descobrir o cuidado que podemos (nos) oferecer.

Bianca Galindo
Psicóloga e Psicoterapeuta

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